A evolução não está conseguindo acompanhar o ritmo da mudança climática

23/11/2016 19:31:01

Como Charles Darwin mostrou há quase 150 anos, as espécie podem se adaptar para viverem em diferentes condições climáticas por meio de um processo de tentativa e erro do processo de seleção natural. Um novo estudo desanimador mostra que a mudança climática tem acontecido tão rápida que a evolução não tem conseguido acompanhar, e que isso coloca um monte de animais e plantas em risco.

Uma nova pesquisa publicada no Proceeding of the Royal Society B mostra que o ritmo da evolução está acontecendo de modo tão lento que não está acompanhando o aquecimento global. Pesquisadores da Universidade do Arizona chegaram a essa triste conclusão ao analisar mais de 250 espécies animais (incluindo anfíbios e répteis) e plantas, sendo essas as mais vulneráveis às condições climáticas. Vários animais não vão conseguir se adaptar a tempo para as demandas dramáticas de condições, como aumento de temperatura, mudanças no ritmo de chuva e desertificação.

Os pesquisadores disseram que alguns animais podem conseguir migrar para lidar com a alta das temperaturas. No entanto, algumas espécies vivem em áreas isoladas e não conseguem deixá-las. Os resultados deste novo estudo mostraram que espécies tropicais estão correndo um risco maior que aqueles que vivem em zonas mais temperadas. Alguns mamíferos e pássaros estão em situação melhor para sobreviver, pois eles conseguem regular a temperatura de seus corpos.

Os biólogos Tereza Jezkova e John J. Wiens analisaram 266 populações de plantas e animais, incluindo insetos, anfíbios, pássaros, mamíferos e répteis. A habilidade dos animais de se adaptarem às mudanças climáticas foi comparada com a magnitude projetada para a mudança de clima nos próximos 55 anos.

Entre os grupos analisados, os índices de mudança de nicho eram muito mais lentas que as projetadas pela mudança climática — no caso da temperatura, a taxa de mudança é 200 mil vezes mais lenta que a média necessária. Então, nem perto está.

E em função do complexo balanço que mantém o ecossistema intacto, os pesquisadores dizem que muitas espécies ainda estarão em risco se as mudanças de nicho requisitadas fossem instantâneas. Simplesmente não haveria tempo o suficiente para um equilíbrio para começar entre os nichos afetados, resultando em teias alimentares perturbadas e explosões populacionais associadas a falhas — sem contar o afluxo de espécies invasoras.

Infelizmente, este estudo reforça o argumento de que estamos próximos da maior extinção em massa da vida animal desde os dinossauros, quando foram dizimados há 65 milhões de anos. No entanto, nós deveríamos levar em conta que as projeções não são nosso destino — muitas coisas podem mudar ainda. Vamos esperar que o mundo tomará ciência disso e vai reduzir a emissão de gases de efeito estufa, como prometido.

[Proceedings of the Royal Society B]

Foto do topo por Andreas Weith/CC-AS 4.0

Fonte: Gizmodo

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